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10.07.2022

TUPACIGUARA 1963 - A MAIOR LIÇÃO DO CIVISMO



Otoni Torres (joão) - junho 1963 


 

Depois de assistirmos às festas monumentais da comemoração do cinquentenário de Tupaciguara, novos sentimentos nasceram em nossas almas. Quem assiste à vida deTupaciguara, com seu povo mais devotado às atividades rurais, seus operários urbanos, seus homens de trabalho, na simplicidade de suas vestes, de suas pessoas, de sua cultura, de sua própria maneira de ser e de sentir, jamais poderia imaginar que, sob a aparente indiferença e incapacidade dessa gente, pudesse se ocultar o gigante da possibilidade realizadora, quando as almas sofrem a inspiração do amor a terra       

E vimos uma Tupaciguara diferente, por ocasião das festas do seu cinquentenário. Ninguém se omitiu, ninguém deu mais valor às atividades particulares, ninguém deixou de doar sua colaboração à organização dos festejos. E que Tupaciguara linda foi aquela que viu seus filhos saírem às ruas, deixando estampados nos seus semblantes o entusiasmo pela grande comemoração. Era o espetáculo do entusiasmo, do amor a terra, o desfile de rostos sorridentes, de almas que se despertaram para a alegria coletiva. E a beleza dos ornamentos e dos carros alegóricos deixou nos aquela antecipação de saudade inspirando nos aproveitar cada momento daquele jubilo coletivo na quase certeza que jamais assistiríamos outro espetáculo daquele.

Terminado a festa veio de fato a saudade. Como que se o povo tivesse alegrado sob efeitos hipnóticos amanheceu a cidade normal com o povo simples em suas vestes, em seus semblantes, em seus costumes, em suas maneiras de ser e sentir..



Entretanto não se passou um ano sequer, para assistirmos a outro espetáculo ainda maior que o primeiro. Quase boquiabertos pela perplexidade fomos surpreendidos pelo barulho de uma propaganda politica. Rompemos nossa momentânea imobilidade, para compreender que estávamos diante do maior espetáculo cívico de todos o tempos em nossas ruas: eram os estudantes saindo para suas campanha politica. Eram moços e meninas a agitar a cidade proclamando seus ideais estudantis, falando da esperança pelo futuro da pátria, falando da sua  na força da mocidade, defendendo o primado do ideal. 

E que politica senhores politicos, era uma politica educada sem ofensas pessoais, sem ódio e acima de tudo sem a hipocrisia que se desenrola na politica que marca a corrida para o poder publico. Eram candidatos e eleitores sem compromisso com o passado, sem interesses econômicos, sem o primado da vaidade, sobre a vontade de servir. Uma campanha que podia conviver com a cordialidade, que não destrói a fonte dos sorrisos, que não cria inimizades eternas. Campanhas sem traições, sem promessas de perseguições, sem a expectativa das calunias, que são na politica de gente grande a coroa de espinho dos derrotados.

 Assistimos aquele espetáculo, vendo bem no alto a figura dos estudantes dirigirem aos mais velhos uma advertência assim: - "aprenda conosco, senhores politicos" 

E nos que, também já fomos estudantes e que vivenciamos as mesmas campanhas sob os mesmos princípios nada chegamos aprender. Mas, conseguimos nos relembrar de certos métodos e princípios que a politica partidária insiste em destruir dentro de nos.

   





7.27.2022

UM GARNIZÉ CARONEIRO

por
Witer Brasil
julho 2022

Esse é um garnisé que é conduzido por um ciclista, empoleirado numa caixa de plástico na garupa da bicicleta por toda lagoa santa. Uma vez, na porta da padaria onde tomo café o Joca, nosso cachorro que fica me acompanhando por todo lugar que vou,  pulou na bicicleta que estava estacionada. Foi a maior confusão. Bicicleta no chão, garnisé fugindo, dono do bichinho querendo salvá-lo, as pessoas rindo e o Joca assustado com a reação do povo. Foi  uma zorra total. O tempo passou, o ciclista continua estacionando o bichinho em frente a padaria, o Joca, agora, só fica olhando de longe  e eu na expectativa de que tudo continue em ordem. Cheguei perto tirei uma foto para enviar aos leitores desde blog contando essa história 

6.28.2022

DESAPOSENTAR


DESAPOSENTAR

por/ Domingos Pellegrini

Ele chegou à praça com uma marreta. Endireitou a estaca de uma muda de  árvore e firmou batendo com a marreta. Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte.

Não resisti a puxar conversa:

- O senhor é da prefeitura?

- Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.

- Ah... O senhor quem plantou essa muda?

- Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí. Olha que beleza, já está toda enfolhada. De tardezinha eu venho regar.

- Então o senhor gosta de plantas.

- De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.

- Obrigado pela parte que me cabe...

Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.

- O senhor é aposentado?

- Não, sou desaposentado. Foi podando e explicando: Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria... Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, pra árvore não  encobrir a fachada da loja? É... aí fica com a loja torrando no sol!

Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.

- É bom pra terra... tudo que sai da terra deve voltar pra terra... Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda  e chinelo e ficando em casa diante da televisão.  Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando... Até que  acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.

Cortou umas flores, fez um ramalhete:

- Pra minha menina. A Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ihh... A Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.

Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.

- Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à  prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode. Sorriu, olhando a praça.

- Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra  cuidar da praça!!! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem  de cuidar da praça... Ou antes que me fizessem preencher formulários em três vias  com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei...  Tá vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho. Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.

- Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.

- Eu também não sabia, filho. Ihh... aprendi tanta coisa cuidando dessa praça! Hoje conheço os cantos dos passarinhos, as épocas de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme!

- Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein? - falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura. Ele respondeu que não tinha pressa.

- Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber ... e a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim , no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores...

- É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança! 

Ele riu:

- Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!

5.02.2022

DESIDERATA

 




Siga tranquilamente entre a pressa e a inquietude, lembrando-se que há sempre paz no silêncio.

Tanto quanto possível, sem se humilhar, mantenha boas relações com todas as pessoas.
Fale a sua verdade mansa e claramente e ouça a dos outros, mesmo a dos insensatos e ignorantes, pois eles também têm sua própria história.

Evite as pessoas escandalosas e agressivas. Elas afligem o nosso espírito.

Se você se comparar com os outros, tornar-se-á presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém superior e alguém inferior a você.

Você é filho do Universo, irmão das estrelas e árvores. Você merece estar aqui, e mesmo sem você perceber, a Terra e o Universo vão cumprir o seu destino.

Desfrute das suas realizações, bem como dos seus planos. Mantenha-se interessado em sua carreira, ainda que humilde, pois ela é um ganho real na fortuna cambiante do tempo.
Tenha cautela nos negócios, pois o mundo está cheio de astúcias, mas não se torne um cético porque a virtude sempre existirá. Muita gente luta por altos ideais e em toda a parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo, principalmente. Não simule afeição. Não seja descrente do amor, porque mesmo diante de tanta aridez e tanto desencanto ele é tão perene quanto a selva.
Aceite com carinho o conselho dos mais velhos e seja compreensivo com os arroubos inovadores da juventude.

Alimente a força do espírito que o protegerá no infortúnio inesperado, mas não se desespere com perigos imaginários. Muitos temores nascem do cansaço e da solidão, e a despeito de uma disciplina rigorosa. Seja gentil para consigo mesmo.

Portanto, esteja em paz com Deus como quer que você o conceba e quaisquer que sejam seus trabalhos e as aspirações. Na fatigante confusão da vida, mantenha-se em paz com sua própria alma, apesar de todas as falsidades, fadigas e desencantos. O mundo ainda é bonito.

Seja prudente e faça tudo para ser feliz!

3.30.2022

Qual é a parte mais bonita do dia?

O amanhecer é a parte mais bonita do nosso dia, é o momento em que Deus nos diz: Levanta-te, tenho um novo dia pra você, vai a luta  pois estou contigo!

2.27.2020

Hoje senti uma vontade enorme de chorar, por causa de um tacho de cobre além do tempo.

Witer Brasil
22/11/2015

Quando minha mãe era viva, lembro-me dela com uma preocupação enorme em nos presentear com um tacho de cobre.
Não entendia bem esse proposito, pois não imaginava nenhuma utilidade que viesse a ter para nos, naquela época, um simples tacho que justificasse aquela vontade indômita de nos presentear; pois dizia ela que não morreria tranquila caso não conseguisse um tacho de cobre para nos deixar como lembrança. Mas, devo dizer também que nunca fizemos descaso de sua intensão.
 
Antes de vir a falecer chegou a fazer certo sacrifício viajando a procura de um acampamento de ciganos onde fabricavam artesanalmente esses tachos, até encontrar o presente que queria nos deixar como seu estranho legado.
 Ao decorrer mais de 30 anos, agora temos em casa alguns pés de tamarindo e para não deixar esperdiçar, costumamos fazer geleia dos frutos para consumo próprio, vender, ocupar o tempo e que tem ainda ajuda nas nossas despesas básicas.

Hoje, quando estava num fogão apurando uma pasta de tamarindo, lembrei-me de minha mãe, já falecida. e então senti uma vontade enorme de chorar; Isso porque ao estar manuseando um pequeno e deficiente tachinho de cobre percebi a necessidade de um tacho maior e que permitisse maior produtividade para produção das geleias de que estava fazendo, igual aquele que havíamos ganhado de minha mãe quando ainda era viva. Foi quando tomei consciência de que havia ganhado um tacho de cobre para ser usado somente agora, nos dias de hoje, e agora infelizmente não o temos mais.

Confesso que fiquei um tanto intrigado, meio assustado e impressionado com coisas que não sei como explicar, e, fiquei a questionar:
 Que estranha intuição teve a minha mãe?
Que pode haver mais que uma grande coincidência?
Que vontade compulsiva e como ela achava que um dia eu, além do tempo, iria precisar de um tacho de cobre?

Agora entendo que aquele legado foi um presente oferecido com amor, dedicação e até certo sacrifício. Por isso era uma coisa abençoada que jamais poderia ser passado para frente. Fica assim, meu remorso, tristeza e sentimento de culpa pela nossa ingratidão. Que ela, onde estiver, nos perdoe.

8.10.2016

O dinheiro é Público ou dos Contribuintes.? Éis uma questão?

Por Witer Brasil
29/03/2015

Certa vez, assistindo uma reportagem de TV americana, o repórter fazia referencia a um gasto que o governo havia feito com o dinheiro dos contribuintes para a compra de aviões.

O tom da mensagem me pareceu que havia certo respeito aos dólares gasto porque se tratava de dinheiro dos contribuintes.
Fazendo uma comparação com as reportagens que estamos acostumados  ver,  aqui no Brasil, traz uma conotação bem diferente, quando se diz que o dinheiro é público.

A gente vê e ouve o tempo todo parlamentares de todo o Brasil incluindo comunicadores da imprensa (grandes formadores de opinião) falando em dinheiro público. Fiquei então a imaginar. Aprendi que coisa pública é de uso comum das pessoas.

Assim passei a imaginar também, que tanto desrespeito ao dinheiro dos contribuintes e de acionistas de grandes empresas, onde o governo tem participação acionaria, se deve ao fato de acharem que é de uso comum dos partidos; de quem teve mais votos; que por isso tem mais direito a fazer como querem com o dinheiro dos contribuintes ou acionista etc.

Do meu ponto de vista, salvo esteja enganado, as contribuições poderiam ser consideradas públicas somente depois que passassem a ser transformadas em bens públicos, de uso comum do povo.
Dizer de uma forma ou de outra, recurso de nossa língua e cultura, faz diferença e influencia dando uma conotação equivocada.

Precisamos considerar que o nível de instrução de grande parte da população, incluindo parlamentares, ainda não tem, infelizmente, o discernimento apurado para entender que Dinheiro Público na verdade é dinheiro dos contribuintes, exigente de respeito para ser administrado.

6.25.2016

Você está consciente do seu ‘Círculo de Possibilidades’?


Por
Witer Brasil
Julho/2016



Ah!... Não fossem os limites para nossos desejos, nossos anseios e necessidades!... Como seria o mundo? Talvez as premiações pelos esforços desempenhados não tivessem mais valor. Talvez, as pessoas não teriam mais ambições ou desejo de conquistas. O mundo até poderia ser um tanto monótono, sem mérito e sem honra.

Todos nos estamos o tempo todo ameaçados por um grande numero de informações.
A nossa sociedade está ficando saturada de comunicação através da mídia e principalmente das redes sociais.
A força das comunicações e interesses promocionais das instituições financeiras e comercio dos bens de consumo estão cada vez mais convincentes,  as promoções imperdíveis, ofertas maravilhosas que nos despertam desejos às vezes incontroláveis; isso tudo é um poder que nos fascina e nos perverte. 

Somos o tempo todo, tomados por uma força de gravidade ao consumismo.
Essa abordagem vem tirando de nos, desprevenidos, o senso de limite do nosso circulo de possibilidades.
Ainda que, muitas vezes não tivemos educação nos alertando de tais situações, é possível que tenhamos herdado geneticamente o senso de limite do nosso ‘Circulo de Possibilidades’.
Se lembrarmos, com saudade, de nossos avos ou bisavós, é fácil entender como eles eram tão responsáveis e orgulhosos dos seus limites relacionados com as suas possibilidades.

O nosso ‘Circulo de Possibilidades’:
Esse é o conceito imaginário de um circulo que circunscreve sobre nos, definindo o nosso caráter e limitando os nossos desejos, anseios e necessidades.  Se ultrapassarmos esse limite, perderemos o controle.
Isso é uma bela, simples e eficiente metáfora programada para que possamos administrar o nosso comportamento a fim de termos uma vida tranquila, segura e com mente saudável.

É uma idéia simbólica, contribuição da Maçonaria onde o compasso do pedreiro circula sobre o maçom definindo o seu limite. Junto do compasso tem ainda o esquadro que simboliza a inteligência e propõe que o maçom terá que viver conforme um ângulo certo e na retidão de seus propósitos.

Quando o maçom deseja ampliar o tamanho de seu circulo, de seu caráter, de seus valores e de suas possibilidades, terá então que usar a inteligência simbolizada pelo esquadro.  Inclui então, o estudo da lógica, retórica, gramatica, fundamentos de economia e outras matérias que faz parte do elenco de propostas que o maçom precisa para ampliar o tamanho do circulo que o circunscreve.


Apesar de ser um conceito milenar, ele é ainda tão atual e necessário a qualquer pessoa, independente de ser maçom, para obtermos uma harmonia social e econômica de nossas individualidades nos dias de hoje.
Como está o seu circulo de possibilidades? Faça um exame de consciência, defina seus limites e fique dentro dele. Desse modo terá ajuda do Grande arquiteto do Universo. É assim, que os maçons convivem e acreditam. Embarque nessa e será bem sucedido.

5.13.2015

A Discriminação é de Valores ou de Etnia? (Rolezinhos tem várias etnias)

Witer Brasil
20/01/2014


Será que os conflitos sociais que vem acontecendo, são vistos como reações de ‘preconceitos raciais’, são realmente de raça? Posso estar equivocado, mas isso deve ser muito diferente da opinião de gente que aparece nos noticiários dando explicações apaixonadas sobre o que esta acontecendo e alegando ser ‘preconceito de raça’, de quem rotulam de elites sociais. Talvez, porque não tem um ideal mais interessante e mais logico para se preocupar.
A principio a expressão raça, para seres humanos, nem é mais ultimamente utilizada; vejam o que foi originado do projeto genoma e publicado em wikipedia.org:
"desde que se utilizaram os métodos genéticos para estudar populações humanas, essas classificações e o próprio conceito de "raças humanas" deixaram de ser utilizados,2 , persistindo o uso do termo apenas na política, quando se pede "igualdade racial" ou na legislação quando se fala em "preconceito de raça", como a lei nº 12.2883 , de 20 de julho de 2010, que instituiu, no Brasil, o “Estatuto da Igualdade Racial”. Um conceito alternativo e sinônimo é o de "etnia".
 
São os valores que contam e não a etnia
Imaginem se Barack Obama visitasse um shopping qualquer, apesar de ser negro, posso garantir que não seria discriminado,  pelo contrario, penso que poderia ser até recebido com atenção especial. O mesmo não se pode garantir sobre a visita de um bandido tatuado, de qualquer etnia, vestindo fora dos padrões sociais, que não sabe respeitar a presença de outras pessoas, irreverente e mal educado.
Mandela foi por muitos anos discriminado, mas quando seus valores foram reconhecidos passou a ser influente e respeitado. O presidente do supremo tribunal federal, com muito mérito, Joaquim Barbosa é outro exemplo de brilhante cidadão brasileiro, posso apostar que não será discriminado em momento algum por causa de sua etnia. Pelé, que tanto permanece em evidencia, dispensa comentários. Assim, podemos concluir que discriminamos valores e não etnias. 
 
Choque de valores
Rolezinhos, no inicio, era para ser um movimento disciplinado, sem ofensas, respeitador e dentro de princípios saudáveis. Infelizmente foi afetado por um fenômeno sócio cultural que se pode entender por ‘choque de valores’. Surgiu na tribo outras tribos. Semelhantes como, mas trazendo comportamento e sentimentos diferentes.  Algazarra, bagunça e pertubação da ordem publica são consequências quando isso acontece.
 
Identificação através de aparência

Se faltar informação sobre determinadas pessoas a aparência poderá ser a sua identificação. Entendendo que a aparência faz parte dos valores de um jovem do ‘rolezinho’ e se identificar como garoto indesejável mesmo não sendo, poderá com certeza ser discriminado. Assim, a culpa recai sobre ele mesmo, pois definiu a forma, não verdadeira, de exibir seus valores para  outros ambientes com padrões sociais diferentes.
É o caso de Vinícius Romão, estudante de psicologia, preso por 16 dias por ser confundido com o verdadeiro assaltante. Ele assumiu um visual com valores semelhantes ao do verdadeiro bandido. Do mesmo modo, se o assaltante fosse branco e de olhos azuis e Vinícius também, branco e de olhos azuis, poderia do mesmo jeito ser confundido. 

Esse fenômeno social sempre vai existir. Enquanto houver desigualdades sociais e diferença de valores, enquanto houver no Brasil a permanência das gerações ‘nem nem’ (aqueles que não trabalham e nem estudam e do ponto de vista econômico representa um custo muito alto para a sociedade brasileira, pois se trata de recursos humanos que não produz e gera malignas despesas com envolvimento de drogas, para quem trabalha e paga impostos) e o grande responsável por isso é com certeza, a falta de edução.

É evidente que qualquer pessoa, com boa sanidade mental, é a favor de ordem disciplina, respeito, e quando providencias para que isso possa ser garantido, aparecem os indesejaves e talvez desocupados, para dizer que está havendo discriminação. Fazem isso justificando que é democrático sem saberem que estão manchando a democracia por falta de ética. É triste ver tanta gente que não quer ver o que é justo e sensato a fazerem manifestações incivis. 

Todos os problemas sociais e econômicos, geração de culturas e movimentos bizarros, infundados e que vivenciamos, são todos fundamentados na falta de educação com qualidade.



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Witer Brasil é consultor em Administração de Empresas com especialização em Marketing e Comunicação.  Como professor leciona Economia, Marketing e Estatística. witerbrasil@gmail.com Fone 31-9116.9123/31-3681.8844  

11.06.2007

O reconhecimento não tem fronteiras Saudação do índio norte-Americano


Ó Grande Espírito, cuja voz ouço nos ventos, cujo sopro anima o mundo, ouça-me।

Sou pequeno e fraco, preciso de sua força e sabedoria. Permita que eu caminhe na Beleza, e faça que meus olhos contemplem para sempre o vermelho e a púrpura do sol poente.

Faça com que minhas mãos respeitem todas as coisas que o Senhor criou. Faça meus ouvidos aguçados para que eu ouça a sua voz.


Faça-me sábio para que eu possa entender tudo aquilo que o Senhor ensinou ao seu povo.
Permita que eu apreenda os ensinamentos que o Senhor escondeu em cada folha, em cada pedra.

Busco força, não para ser maior do que meu amigo, mas para lutar contra meu maior inimigo – eu mesmo.

Permita que eu esteja sempre pronto para ir até o Senhor de mãos limpas e olhar firme.
Assim, quando a minha vida estiver no ocaso, como o sol poente, que meu Espírito possa ir à sua presença, sem nenhuma vergonha.

Saudação do Índio Norte-americano – praticada na Escola “Nuvem Vermelha”em Pine Ridge, Dakota do Sul.

10.10.2006

Pista de Cooper da Praça e o Marketing Social Ecoeficiente





CRÔNICA

Witer Brasil - 06-10-06

Geralmente em bairros de classe A das grandes cidades, existem praças com pistas de Cooper. Em uma dessas, com bastante vegetação e belos jardins, quiosques que vendem água de coco, refrigerantes e salgadinhos, vai ser o nosso cenário e ponto de observação.
'A Parte o conceito pouco lisonjeiro de Maquiavel, é o local onde a prefeitura monta seu grande “circo e distribui pães ao povo”, realiza suas promoções, eventos e outras formas de comunicação, independente de interesses políticos. É a aplicação do Marketing Social, junto à natureza estruturada com pista de Cooper. Um verdadeiro cenário verde e palco do marketing ecoeficiente.

A praça que conhecemos é repleta de grandes figuras, personagens constantes, mas efêmeras pelas manhãs ou final de tardes, na pista de Cooper.
São atores despretensiosos, de um palco visível aos expectadores que surpreendidos passam, de carro ou a pé, contemplando curiosas formas de comportamento para caminhar ou correr. Isso é a principal curiosidade, o ponto alto, a janela das almas, por onde nos penetramos indiscretamente, para ver a interpretação de personagens tão diferentes e às vezes bizarras. Chega a ser divertido:

A “Pista de Cooper da Praça” é uma verdadeira passarela por onde desfilam homens e mulheres. As mulheres mais discretas, porem mais fascinantes.
São tantas! umas alegres, outras falantes, umas caminhando e outras correndo. Despojadas de roupas tradicionais exibem uma indumentária justa ao corpo, colante, mostrando o que têm de mais bonito, as formas e curvas do corpo, tornozelos abaulados, pernas bem torneadas, barriguinhas sedutoras e bumbuns rechonchudos. Um verdadeiro desafio aos estereótipos do superego, onde se funda em paradoxo e fica subentendida a proibição.

Os homens são mais engraçados. Também nessa passarela de exibição se apresentam de forma muito variada, cada um com a sua própria característica, sua maneira de ser, o modo de exibir a técnica inovadora que criou para correr, para fazer alongamentos, modo correto de respirar e articular.

Sentado em um banco da praça, saboreando água de coco e observando as pessoas, a gente vai se deliciando com o desenrolar dos acontecimentos e comportamentos de diferentes corredores ou andarilhos de uma “Pista de Cooper da Praça”, sem saberem que estão sendo observados.

Há, por exemplo, um tipo pitoresco que a gente avista de longe. Vem ao nosso encontro, caminhando altivo e se movimentando todo, braços e pernas, pisando no chão com muita firmeza e esbanjando vigor, parecendo mais um daqueles soldados comunistas que marchava na praça vermelha, mas sem farda militar, com roupas descontraídas, tipo bermuda e camiseta, fica insinuando apenas o desejo de ser um grande sargento.

Há também o tipo remador; é aquele que corre com os braços levemente dobrados e mãos fechadas, como se estivesse segurando remos e movimentando-os alternadamente conforme os passos e movimento do corpo, a uma altura, de modo a sugerir o remar dos dois lados de uma canoa.

Um tipo interessante, porem com menos freqüência, é o caso de um personagem que corre com pouca velocidade e com os dois braços sem movimentá-los e esticados um pouco para frente, com as mãos fechadas e tensas, como se estivesse empurrando um carrinho, articula passos bem miúdos e dá a nítida impressão que está o tempo todo segurando um Pum.

Outro tipo pitoresco é aquele que para correr assume uma postura graciosamente original, se posicionando levemente inclinando para frente, como se estivesse querendo dar uma cabeçada em alguém e com os braços um pouco abertos e tensos, também sem movimentá-los, como se estivesse cercando galinhas é um dos tipos mais engraçados. Corre em zig-e-zag com pouca velocidade, costurando entre as pessoas, e dessa forma, desempenhando a cena que faz lembrar, também, uma galinha choca, com asas abertas, protegendo seus pintainhos.

Muito comum, são aqueles que para fazer alongamento usam uma arvore qualquer no seu caminho. Posicionam-se na frente dela, com as duas mãos depositam toda força que têm sobre o tronco. Se fingirmos que não sabemos o motivo desse procedimento, fica parecendo que estão querendo, inutilmente, derrubar a arvore.

Enquanto esses atores desfilam pela passarela da “Praça com Pista de Cooper”, funcionários da prefeitura distribuem graciosamente para as pessoas mudas de hibisco. Em um palanque improvisado, palhaços de um grupo teatral divertem as crianças, o jornaleiro da banca fica atarefado, e daqui a pouco –diz o pipoqueiro-, uma dupla sertaneja vai cantar. A satisfação toma conta do lugar, alegria se manifesta e tudo no seu devido tempo normalmente acontece. Mas, nalgum lugar, existe um casmurro, a observar cada um dos modelos sociais, buscando com ansiedade e expectativa de mais um tipo pitoresco para contar.



Ah! Se todas as prefeituras desse país tivessem espaços estruturados, como esse, para oferecerem as pessoas satisfação de necessidades tão nobres e por meios tão engraçados. Se soubessem montar circos e distribuir pães corretamente, (no bom sentido). Então seriamos todos cidadãos mais notáveis, mais ricos de saúde, mais civilizados e com mais esperança na competência dos governantes. O Marketing Social e ecoeficiente seria indispensável e o mais aplicado por todos governantes municipais. Os resultados seriam nossos. Nosso bem estar, nossa satisfação, nosso prazer pela vida e cidadania altamente justificada com IDH tão elevado como a dos escandinavos.

Bem-aventurado os que caminham e correm felizes e indiferentes ao bobo do observador que se recusa inventar, também, um tipo esquisito para desfilar na “Pista de Cooper da Praça”.
Witer Brasil é consultor em Administração de Empresas com especialização em Marketing e Comunicação. Como professor leciona Economia, Marketing e Estatística. witerbrasil@gmail.com Fone 31-9197.8178/31-3681.8844